Exposição ocorreu durante a 2ª reunião do Colégio de Presidentes e Corregedores dos Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor)
Na manhã desta terça-feira (24), o presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), desembargador Valdir Florindo, apresentou aos membros do Colégio de Presidentes e Corregedores dos Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor) o projeto Ajude 4.0 – Equalização da Carga de Trabalho, iniciativa que busca otimizar a distribuição de processos no âmbito da Justiça do Trabalho.
A exposição foi realizada em conjunto com o juiz auxiliar da Presidência do TRT-SP, Thomaz Moreira Werneck, e ocorreu no auditório Ministro Walmir Oliveira da Costa, na sede do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília.
Durante a apresentação, o presidente contextualizou a necessidade do projeto a partir de situações concretas enfrentadas pelo tribunal. Em 2025, por exemplo, a Vara do Trabalho de Cajamar recebeu mais de quatro mil novos processos, uma média de mais de dois mil processos por magistrado, já que a VT contava com o modelo de auxílio mais robusto à época — a designação fixa de um juiz substituto durante todo o ano. Em contraste, unidades como as varas de Santos registraram cerca de mil e trezentos casos no mesmo período, com média inferior a setecentos por juiz.
Segundo o desembargador, esse cenário evidenciava um desequilíbrio estrutural, porém a complexidade e o porte do TRT-SP exigiam uma solução institucional elaborada. “Nesse cenário, foi estruturado o Apoio Judicial para Unidades com Distribuição Elevada (Ajude 4.0), contribuindo para a eficiência da prestação jurisdicional e permitindo uma gestão mais inteligente da força de trabalho”, afirmou.
Na apresentação técnica, o juiz auxiliar Thomaz Werneck explicou que, até então, o sistema de apoio se dava por diferentes regimes — fixo, compartilhado ou pontual —, o que gerava limitações, como a rigidez na concessão de auxílio, a necessidade de gestão constante e a ausência de reforço adicional em unidades com demandas mais elevadas.
Com a implantação do Ajude 4.0, em janeiro de 2026, a equalização passou a ocorrer de forma digital, contínua e estruturada. De acordo com Werneck, o sistema projeta o volume anual de novos processos e divide pelo número de magistrados em atuação no primeiro grau, estabelecendo um parâmetro médio. “Para 2026, esse índice foi fixado em 1.050 processos por juiz ao ano. Sempre que uma unidade ultrapassa esse patamar, o excedente passa a contar com suporte da rede de equalização”, ressaltou ele.
O juiz auxiliar informou que o sistema opera com duas frentes complementares: “a atuação de juízes de equalização, designados para absorver excedentes mais críticos, e mecanismos de cooperação entre unidades, permitindo maior flexibilidade e resposta mais rápida às variações de demanda”.
Werneck ressaltou ainda que o modelo preserva a vinculação dos processos à vara de origem e o princípio do juiz natural, sem criação de novas unidades ou redistribuição de acervo. “A inovação está na forma de cooperação entre magistrados”, concluiu.



