Programas destacam inclusão social e formação de jovens em situação de vulnerabilidade
Representantes dos Tribunais Regionais do Trabalho da 4ª (RS), 12ª (SC), 15ª (Campinas) e 23ª (MT) Regiões apresentaram, na quarta-feira (22), casos de sucesso em contratação e aprendizagem em seus órgãos. O painel ocorreu durante a 3ª Reunião Ordinária de 2026 do Colégio de Presidentes e Corregedores dos Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor).
Pelo TRT da 4ª Região (RS), o desembargador Alexandre Corrêa da Cruz e a servidora Anita Cristina de Jesus apresentaram o Projeto Pescar, criado em 2017, que já beneficiou cerca de 170 jovens entre 16 e 19 anos. A iniciativa é desenvolvida em parceria com instituições da comunidade jurídico-trabalhista e se destaca pelo forte engajamento voluntário: mais de 100 magistrados, servidores e profissionais do Direito atuam anualmente na formação dos participantes.
Com carga superior a 800 horas, o curso alia conteúdos técnicos — como rotinas administrativas e uso do Processo Judicial Eletrônico (PJe) — a temas de cidadania e desenvolvimento pessoal. O programa também inclui vivências práticas no tribunal e acompanhamento dos jovens por até dois anos após a conclusão, com foco na empregabilidade.
No TRT da 12ª Região (SC), a desembargadora Maria de Lourdes Leiria apresentou o programa de aprendizagem implantado em 2021, financiado com recursos próprios e voltado à inclusão de adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade. A iniciativa contempla públicos diversos, como pessoas com deficiência e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas. Entre os diferenciais está a estrutura dedicada aos aprendizes, com biblioteca e espaço de coworking, além de parcerias com instituições de ensino e entidades formadoras.
A presidente do Regional Trabalhista Catarinense, desembargadora Teresa Regina Cotosky, lembrou que a aprendizagem é uma ferramenta essencial para o enfrentamento do trabalho infantil e para a promoção do trabalho decente. “Esses programas de aprendizagem é a forma mais eficaz e digna de eliminar o trabalho infantil, além de suprir a oferta de vagas no mercado de trabalho”, afirmou.
Já no TRT da 15ª Região (Campinas), a desembargadora Ana Paula Pellegrina Lockmann apresentou um modelo centrado na qualidade da formação e no desenvolvimento integral dos jovens aprendizes. Em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego, o Senac e entidades sociais, o programa oferece capacitação técnica aliada à formação cidadã.
A iniciativa inclui práticas de Justiça Restaurativa e técnicas de Comunicação Não Violenta, o que contribui para o desenvolvimento socioemocional dos participantes. Com duração de um ano e quatro meses, o programa busca preparar os jovens para o mercado de trabalho, promovendo impactos positivos também em suas famílias.
Encerrando o painel, o TRT da 23ª Região (MT) apresentou uma abordagem voltada ao acolhimento individualizado. O desembargador Aguimar Martins Peixoto e a juíza auxiliar Leda Borges de Lima destacaram ações direcionadas a jovens egressos de casas-lares, com atenção especial ao acompanhamento e à escolha adequada das unidades de atuação.
O modelo prioriza o engajamento das equipes e a criação de vínculos, evitando a alocação meramente administrativa dos aprendizes. Um dos relatos apresentados, sobre uma jovem que recebeu apoio direto de magistrados para dar continuidade aos estudos, emocionou os participantes e evidenciou o alcance social da iniciativa. Ao final, foi ressaltado que o êxito dos programas depende do envolvimento efetivo de toda a instituição.
A presidente do Coleprecor, desembargadora Herminegilda Leite Machado, destacou que as apresentações mudaram sua perspectiva. “O papel da Justiça do Trabalho pode ser de agente de transformação social, ao promover políticas que ampliam oportunidades, qualificação profissional e inclusão de jovens em situação de vulnerabilidade”, destacou.


