Encontro sediado no TRT-1 (RJ) reuniu debates sobre inteligência artificial, auditoria contínua, governança e sustentabilidade
A 7ª Reunião Ordinária de 2026 do Colégio de Presidentes(as) e Corregedores(as) dos Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor), que ocorreu nos dias 21 e 22 de setembro, concluiu sua programação no prédio-sede do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ), consolidando debates estratégicos voltados ao aprimoramento tecnológico, à sustentabilidade e à uniformização de rotinas na Justiça do Trabalho.
O encontro teve como anfitriões o presidente do TRT-1 (RJ), desembargador Roque Lucarelli Mattos, e o corregedor regional e vice-presidente do Coleprecor, desembargador Alvaro Luiz Carvalho Moreira. Ao longo de dois dias, a programação uniu uma pauta densa de deliberações administrativas a um roteiro histórico e cultural no centro da capital fluminense.
A presidente do Coleprecor, desembargadora Herminegilda Leite Machado (TRT-13/PB), fez um balanço positivo dos trabalhos e ressaltou o significado do encontro sediado no Rio de Janeiro. “Foi realmente surpreendente a acolhida que tivemos por parte do presidente Roque e do nosso colega Alvaro. Tivemos uma verdadeira imersão na história ao nos reunirmos neste prédio histórico — onde conhecemos o espaço que abrigou o gabinete do presidente Getúlio Vargas —, além da passagem pelo Palácio Capanema e da visita ao Centro Cultural da Justiça Federal. Tratamos, com a seriedade de sempre, de problemas sérios e inerentes às administrações e às corregedorias, com reflexos para todos os 24 tribunais. O Coleprecor vive um momento muito expressivo de afirmação de seu espaço e do seu compromisso com a Justiça do Trabalho, justamente quando este primeiro tribunal do país celebra seus 80 anos”, avaliou a magistrada.
Na mesma linha, o vice-presidente do colegiado, desembargador Alvaro Luiz Carvalho Moreira (TRT-1/RJ), comemorou a produtividade das discussões e a integração das lideranças da Justiça do Trabalho. “Para nós do Rio de Janeiro, foi um Coleprecor extremamente gratificante e positivo. Tivemos a oportunidade de reunir lideranças de todo o país em torno de temas muito pertinentes, como inteligência artificial, equalização de processos e outros pontos cruciais para a jurisdição trabalhista. Conseguimos conciliar o trabalho produtivo com momentos inesquecíveis de confraternização pela história carioca — como a visita ao plenário do antigo Supremo Tribunal Federal e o almoço na Praça Mauá, com vista para a Baía de Guanabara. Foi um ganho imenso para o Coleprecor”, comemorou o corregedor do Regional fluminense.
Inovação tecnológica e fluxo processual
A tecnologia aplicada à jurisdição pautou importantes painéis ao longo dos dois dias de evento. Na abertura dos trabalhos, o TRT-1 apresentou o Projeto Equaliza, iniciativa que utiliza mecanismos automatizados do Processo Judicial Eletrônico (PJe) no Juízo 100% Digital para balancear o volume processual entre varas de forma proporcional e gradual, reduzindo distorções no acervo sem alterar a competência territorial das unidades.

Pelo TRT da 4ª Região (RS), foram apresentados os avanços da ferramenta de inteligência artificial Galileu — que apoia a confecção de minutas com foco em explicabilidade, lastro documental e travas contra ataques cibernéticos (prompt injection) —, além do projeto colaborativo da nova Sessão de Julgamento no PJe, desenvolvido em parceria com o TRT-12 (SC) e o TRT-1 (RJ) para modernizar e conferir maior segurança às rotinas dos órgãos colegiados de segundo grau.
A eficiência na fiscalização de gastos públicos também ganhou destaque com o FocaWeb – Folha Continuamente Auditada, apresentado pelo TRT da 8ª Região (PA/AP). A ferramenta adota cruzamento contínuo de dados e detectores estatísticos de anomalias sobre a folha de pagamento, integrando recursos de IA (Chat-JT) para agilizar o direcionamento e a elaboração de auditorias preventivas.
Segurança, sustentabilidade e vida institucional

No campo da gestão pública e dos direitos, o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Paulo Régis Machado Botelho, apresentou os indicadores do Balanço da Sustentabilidade, que avalia o Índice de Desempenho de Sustentabilidade (IDS) dos órgãos judiciais. Na sequência, a diretora-geral do TRT-7 (CE), Neiara São Thiago, detalhou a implementação prática da Recomendação nº 69 do CNJ, compartilhando o modelo pioneiro de contratação e remuneração de associações de catadores de recicláveis no Regional cearense.
A governança e a integridade física foram abordadas pelo TRT-6 (PE), que expôs a metodologia de elaboração dos Protocolos Operacionais Padrão (POPs) da Polícia Judicial. O painel, conduzido pelo corregedor regional Paulo Alcântara e pelo diretor de Polícia Judicial Rodrigo Hazin, ressaltou a importância da cultura preventiva de segurança como política perene de governança corporativa.
A reflexão sobre preservação da história culminou com o lançamento da obra “Palavras do Presidente”, de autoria do desembargador Valdir Florindo, presidente do TRT da 2ª Região (SP). O livro, prefaciado pelo ministro aposentado do STF Ricardo Lewandowski, reúne discursos, memórias e reflexões sobre os desafios contemporâneos do trabalho, como a uberização e a pejotização, valorizando as diretrizes da Resolução CNJ 324/2020 sobre memória institucional.
Eleições para a gestão 2026–2027
No encerramento da sessão plenária, foram oficialmente formalizadas as candidaturas que disputarão a diretoria do Coleprecor para o próximo biênio:

- Presidência: Desembargador Alexandre Corrêa da Cruz (Presidente do TRT-4/RS)
- Vice-Presidência: Desembargadora Eleonora Alves Lacerda (Corregedora Regional do TRT-23/MT)
- Secretaria-Geral: Desembargadora Teresa Regina Cotosky (Presidente do TRT-12/SC)
A eleição formal da nova diretoria ocorrerá durante a 8ª Reunião Ordinária, agendada para os dias 20 e 21 de outubro, em Brasília. A posse dos novos dirigentes está marcada para a reunião subsequente, nos dias 24 e 25 de novembro, também na capital federal.


