Evento aconteceu nos dias 15 e 16 de junho, em João Pessoa, na Paraíba
O Fórum Maximiano Figueiredo, do Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba (13ª Região), em João Pessoa, foi o cenário da 5ª Reunião Ordinária de 2026 do Colégio de Presidentes(as) e Corregedores(as) dos Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor). Sendo o primeiro encontro do ano promovido fora de Brasília, o evento destacou debates essenciais para o futuro do Judiciário Trabalhista. “Concluímos mais uma reunião do Coleprecor e dessa vez a reunião aconteceu aqui em João Pessoa. Tratamos de temas muito interessantes, como a questão do teletrabalho, da equalização, IA Generativa, dentre outros”, pontuou a presidente do Coleprecor, desembargadora Herminegilda Leite Machado.
O vice-presidente do colegiado, desembargador Alvaro Luiz Carvalho Moreira, ressaltou o valor de descentralizar as reuniões. “Isso é muito legal porque tira um pouco aquela realidade de uma cidade feita praticamente para a concentração dos poderes da república. Vemos uma cidade de beira-mar, com um povo muito acolhedor, onde saímos com lições, aprendizados e boas práticas que poderão ser compartilhadas por todos os tribunais”.

Programação
A programação do encontro abordou de forma dinâmica a modernização dos serviços institucionais. Ao longo dos dois dias de trabalho, os desembargadores e magistrados discutiram temas cruciais para a administração da Justiça do Trabalho, como o teletrabalho, a equalização de estruturas, o uso da IA e as estratégias para otimizar os fluxos processuais em âmbito nacional.
A transformação dos canais de atendimento e o fortalecimento da advocacia foram os pilares das inovações levadas pelo TRT de Goiás (18ª Região). Na segunda-feira (15), foi detalhada a CELESTE, uma ferramenta pioneira baseada em inteligência artificial voltada ao WhatsApp que unifica as interações com a sociedade e estabelece prazo máximo de resposta de duas horas pelas unidades. Já na manhã da terça-feira (16), o tribunal goiano lançou o Portal da Advocacia, construído sob conceitos de UX Design para concentrar e facilitar o acesso a consultas, plantões e ao sistema JTe.

A acessibilidade também esteve no centro dos debates por meio do TRT da Paraíba (13ª Região), que apresentou uma solução que utiliza a API oficial do CNJ para oferecer um DJEN compilado, acessível e organizado em formato de caderno completo, com potencial de replicação nacional simplificada. A presidente do Coleprecor e do TRT-PB, desembargadora Herminegilda Leite Machado, exaltou o aprimoramento do sistema. “Apresentamos uma ferramenta que agiliza e otimiza a busca dos processos pelas pessoas interessadas. Essa ferramenta já era muito boa, só que havia uma certa lentidão até que o usuário encontrasse o seu processo, mas agora foi aprimorada de forma a agilizar esse fluxo”.
O impacto e a governança da Inteligência Artificial Generativa no ecossistema jurídico nortearam outro painel de destaque, conduzido pela desembargadora Herminegilda e pelo juiz Lindinaldo Silva Marinho. O debate alertou para a urgência da adequação à Resolução 615/2025 do CNJ e para a necessidade de capacitação técnica. O secretário-geral do Coleprecor, desembargador Jasiel Ivo, ressaltou a produtividade do tema e enfatizou a responsabilidade necessária no uso da IA pelos tribunais de todo o país. “O tema é extremamente produtivo porque já estamos lidando com isso no dia a dia. Tudo que vier acrescentar conhecimento e problematização é bem-vindo, mas temos a preocupação central de não permitir jamais que a máquina substitua o trabalho humano. A tecnologia vem para auxiliar no aprimoramento da prestação da tutela judicial e dos serviços administrativos, mas com todo cuidado, zelo e sempre mostrando a centralidade do ser humano”.

O intercâmbio de boas práticas continuou com a apresentação da plataforma LaborNexus, desenvolvida pelo TRT do Rio Grande do Sul (4ª Região) para incentivar a aplicação das Normas Internacionais do Trabalho (NITs) em decisões judiciais no Brasil. A ferramenta digital, que conta com funcionalidades de tradução técnica, busca estruturada em convenções da OIT e cruzamento integrado de dados, já despertou o interesse de outros tribunais regionais e foi compartilhada como exemplo de prática de vanguarda em Genebra.

A gestão estratégica também ganhou espaço com um painel liderado por desembargadores do TRT do Rio de Janeiro (1ª Região), que desmistificou o peso das metas nacionais. A apresentação defendeu que os dados de desempenho e o planejamento, aliados a relatórios periódicos de acompanhamento, devem ser encarados não como um mecanismo de pressão, mas sim como instrumentos colaborativos e construtivos de gestão e diálogo nas varas do trabalho.
A reunião também trouxe o tema do “Uso de cartões de crédito para pagamento de acordos e despesas judiciais”, trazido pelo Desembargador-Presidente e Corregedor do TRT-RN, Eduardo Serrano da Rocha. Além disso, o TRT-RO/AC, abordou dois temas relevantes e que trouxeram intensos debates entre os presentes: “Otimização da gestão do teletrabalho pelo sistema GESTRAB” e “Equalização em Perspectiva: balanço do primeiro ano da jurisdição ampliada e otimização da força de trabalho”, ambos apresentados pelos desembargadores Ilson Alves Pequeno Junior (Presidente do TRT-RO/AC) e Carlos Augusto Gomes Lôbo (Vice-Presidente e Corregedor do TRT-RO/AC).

Reconhecimento
O encerramento do evento foi coroado pela entrega das duas maiores honrarias concedidas pelo estado à ministra Delaíde Alves Miranda Arantes, do Tribunal Superior do Trabalho (TST): o título de cidadã paraibana e a medalha Epitácio Pessoa. “A concessão deste título já havia sido proposta há vários meses, contudo, por incompatibilidade de agenda, não pôde ser realizada anteriormente. Felizmente, a solenidade coincidiu com o calendário do Coleprecor. Ela foi homenageada com a presença dos colegas e de toda a sociedade paraibana, contando com a participação de advogados e autoridades dos Poderes Executivo e Legislativo”, concluiu, com satisfação, a presidente Herminegilda Leite Machado.



