Painel reforçou o papel de vanguarda da Justiça do Trabalho na discussão sobre a governança digital
A Inteligência Artificial Generativa e seus impactos no ecossistema jurídico foi pauta na 5ª Reunião Ordinária de 2026 do Colégio de Presidentes(as) e Corregedores(as) dos Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor). Com o tema “Entre algoritmos e decisões: os desafios da Inteligência Artificial Generativa na Justiça do Trabalho”, a palestra foi conduzida pela desembargadora-presidente do TRT-PB, Herminegilda Leite Machado, e pelo juiz Lindinaldo Silva Marinho.
Durante a apresentação, os palestrantes provocaram uma reflexão profunda sobre o equilíbrio entre a inovação tecnológica e a essência da atividade jurisdicional. Além disso, o painel reforçou o papel de vanguarda da Justiça do Trabalho na discussão sobre a governança digital, mostrando que o futuro dos tribunais caminha lado a lado com a responsabilidade e a ética na era dos algoritmos.
Para a presidente Herminegilda Leite Machado, a IA deixou de ser uma promessa de futuro para se tornar uma ferramenta do presente. Ela alertou para a urgência de os tribunais se adequarem à Resolução 615/2025 do CNJ, que regulamenta o uso da tecnologia no Judiciário, destacando que a IA avançou de uma função de mera organização de dados para a redação ativa de textos.
“A IA é algo que já está aí, é real e está sendo utilizado. Não há como fugir dessa realidade. A Resolução 615 traz um conceito fundamental: a Reserva Humana. A tomada de decisão não foi delegada; ela permanece e tem que ser exercida por todos nós. Precisamos permanecer vigilantes e atentos”, destacou a presidente.
Por sua vez, o juiz Lindinaldo Silva Marinho trouxe um panorama realista, e por vezes invisível, de como a tecnologia já permeia o cotidiano dos tribunais. Ele alertou para o risco do uso sem segurança e da utilização oculta da IA, tanto na atividade jurisdicional, para minutar despachos e decisões, quanto na área administrativa, como na fiscalização de contratos e consumo. “Nós não temos ideia da quantidade de utilização de IA nos nossos tribunais. Às vezes, as pessoas que resistem ou que não assumem são as que mais utilizam”, apontou o juiz.
O magistrado enfatizou que o maior risco, hoje, é o uso sem critérios e sem o devido preparo técnico. “Além de sabermos quem utiliza e como utiliza, precisamos que os profissionais estejam realmente capacitados. A boa utilização da IA produz bons resultados; a má utilização, não”, concluiu.



