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Colégio de Presidentes(as) e Corregedores(as) dos Tribunais Regionais do Trabalho

TRT-2 apresenta modelo inovador de gestão da admissibilidade recursal

Ferramentas de automação e inteligência artificial reduziram acervo histórico e ampliaram eficiência no processamento de recursos de revista

A equipe da Vice-Presidência Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP) apresentou, nesta terça-feira (26), durante a 4ª Reunião Ordinária de 2026 do Colégio de Presidentes e Corregedores dos Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor), no Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília, um conjunto de iniciativas voltadas à inovação na gestão da admissibilidade regional de recursos de revista. A apresentação destacou o uso de automação, inteligência artificial e análise de dados para aumentar a eficiência do fluxo processual.

A abertura foi feita pelo presidente do TRT-2 (SP), desembargador Valdir Florindo, que ressaltou os resultados alcançados pela equipe e o papel estratégico da tecnologia no Judiciário.“Os avanços vieram acompanhados de indicadores de qualidade técnica que demonstram consistência, segurança e maturidade no trabalho realizado. Isso mostra que o volume não precisa significar lentidão. Mostra que tecnologia, quando bem utilizada, fortalece a jurisdição e que gestão, dados e inteligência humana podem caminhar juntos”, afirmou.

O magistrado também defendeu o uso da inteligência artificial como ferramenta de apoio à atividade jurisdicional. “Queremos retirar do trabalho humano aquilo que é repetitivo, mecânico e exaustivo para liberar magistrados e servidores para o que exige interpretação, ponderação e responsabilidade. O algoritmo pode identificar padrões e organizar grandes volumes de informação, mas não tem prudência nem sensibilidade humana. Quem decide é o ser humano e há de continuar assim”, salientou.

Em seguida, o vice-presidente judicial, desembargador Francisco Ferreira Jorge Neto, destacou o caráter coletivo do projeto e a continuidade das boas práticas institucionais. “Nosso trabalho é de equipe e de fôlego. Fizemos muitas coisas inovadoras, mas nada disso seria possível sem os servidores da equipe”, destacou.

O desembargador também apresentou o Núcleo de Inteligência em Admissibilidade Recursal (NIA) e explicou a evolução do projeto em diferentes etapas. Segundo ele, a primeira fase concentrou-se na automação de tarefas repetitivas por meio dos robôs Faro, Start, Ágata e ePress. Na sequência, foram desenvolvidos sistemas de apoio aos redatores e mecanismos de gerenciamento estratégico da produção.

O juiz auxiliar da Vice-Presidência Judicial, Gustavo Brocchi, detalhou a estrutura do modelo implantado no TRT-SP. Segundo ele, o tribunal enfrentava forte pressão operacional diante do elevado volume processual. “Construímos um ecossistema integrado de automação e inteligência artificial com supervisão humana. Passamos de ferramentas isoladas para um sistema de gestão da admissibilidade recursal”, explicou.

O magistrado informou que a Vice-Presidência Judicial recebe cerca de 500 recursos de revista por dia, muitos deles com múltiplos recursos vinculados. Para enfrentar o cenário, o tribunal adotou uma estratégia dividida em dois eixos: apoio direto ao servidor e gestão estratégica do acervo. “O primeiro passo foi retirar a atividade mecânica e repetitiva, criando robôs para informatizar essas tarefas e liberar o servidor para a supervisão qualificada”, frisou.

Brocchi também apresentou os assistentes de inteligência artificial E-SAJAR, Claris e Agrint, desenvolvidos para auxiliar na elaboração de minutas e admissibilidade de recursos. Segundo ele, as ferramentas não produzem decisões prontas, mas organizam informações, identificam teses jurídicas e oferecem suporte técnico à análise processual. Outro destaque foi o Lumina, painel desenvolvido em Power BI para monitoramento de dados e acompanhamento dos temas mais recorrentes.

Por fim, o chefe do NIAR, Rodrigo Carneiro Cipriano, apresentou o sistema TRIA, que é uma ferramenta de consolidação de toda a arquitetura tecnológica em uma única plataforma de gestão.  “O TRIA transforma documentos processuais em dados estruturados aptos a orientar prioridades, distribuição por lotes e decisões de gestão”, ressaltou.

De acordo com ele, o Regional Trabalhista de São Paulo conseguiu reduzir de forma contínua o estoque processual em poucos meses. “De agosto até janeiro, reduzimos o estoque mês a mês. Em janeiro registramos uma mínima histórica, com apenas mil processos aguardando”, lembrou.

Ele também destacou o uso da inteligência artificial para qualificar a gestão do acervo. “Antes, tínhamos 17 mil processos aguardando e não sabíamos exatamente quais eram os gargalos. A inteligência artificial passou a ajudar a enxergar esse passivo qualitativamente”, explicou.