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Colégio de Presidentes(as) e Corregedores(as) dos Tribunais Regionais do Trabalho

Segurança digital, automação processual e proteção à infância marcam abertura da 8ª Reunião Ordinária de 2026 do Coleprecor

Encontro reuniu presidentes e corregedores dos TRTs para debater inovações tecnológicas na execução trabalhista, governança de sistemas e parcerias em direitos humanos

A modernização dos sistemas judiciais, a intensificação da segurança cibernética e o fortalecimento de iniciativas voltadas à proteção de crianças e adolescentes nortearam as discussões do primeiro dia da 8ª Reunião Ordinária de 2026 do Colégio de Presidentes(as) e Corregedores(as) dos Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor), ocorrida nesta terça-feira (20), na sede do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília.

O encontro reúne dirigentes da Justiça do Trabalho de todo o país para compartilhar boas práticas de gestão, alinhar diretrizes institucionais e analisar soluções que aliem celeridade processual à valorização do corpo funcional.

Automação e celeridade na fase executória: Ferramenta Cratos

Um dos principais destaques do dia foi a apresentação do Cratos (Central de Recurso para Automação de Tarefas e Operações Sistêmicas), ferramenta concebida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO) para otimizar pesquisas patrimoniais em convênios eletrônicos.

Conduzida pelo presidente do TRT-18, desembargador Eugênio José Cesário Rosa, e pelo servidor da Secretaria-Geral Judiciária do tribunal, Rodrigo Madalosso Araújo, a explanação evidenciou o impacto prático da solução, desenvolvida como extensão de navegador. A aplicação padroniza e automatiza consultas a múltiplos sistemas conveniados, gerando respostas rápidas e qualificadas para os magistrados.

“Desenvolvemos uma ferramenta simples que pesquisa, em poucos passos, nossos sistemas de convênios e fornece respostas imediatas ao juiz, com procedimentos padronizados”, explicou o desembargador Eugênio Cesário Rosa.

Além de garantir uniformidade nas certidões — inclusive para comprovar com exatidão diligências que resultaram negativas —, a ferramenta alivia a sobrecarga de trabalho nas unidades. “Ela auxilia os servidores a executarem de forma contínua e padronizada os convênios mais comuns da execução, acelerando os atos e preservando a saúde mental das equipes. Uma busca que antes consumia 40 minutos hoje é concluída em menos de dez”, detalhou Madalosso. Após a fase final de homologação, o objetivo é estender a tecnologia aos demais Tribunais Regionais.

Atualização do PJe 2.22 e governança cibernética

A transição e a estabilidade dos sistemas eletrônicos também tiveram espaço central na pauta. Os gestores foram orientados a priorizar a implantação obrigatória da versão 2.22 do Processo Judicial Eletrônico (PJe). Com o suporte às versões anteriores encerrado em 12 de outubro, foi destacado que os tribunais que ainda não migraram devem avançar na homologação, acompanhando os TRTs da 1ª, 4ª, 5ª, 15ª e 17ª Regiões, que já concluíram o processo.

A versão 2.22 contempla 416 entregas técnicas, englobando correções estruturais, aprimoramentos de interface e reforços arquiteturais de segurança. Pelo calendário apresentado, a versão intermediária 2.22.1.0 fica disponível até 23 de outubro, e a versão consolidada 2.23.0.0 está prevista para 11 de dezembro.

No campo da segurança da informação, a juíza auxiliar do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), Brenna Nepomuceno, detalhou o andamento do programa Justiça Mais Segura. A estratégia estabelece rotinas automatizadas de varredura, monitoramento via painel executivo e metas cronológicas para que as equipes técnicas corrijam vulnerabilidades identificadas nos ativos e produtos digitais da instituição. A magistrada frisou a importância do cumprimento dos prazos para assegurar a resiliência cibernética de toda a Justiça do Trabalho.

Cooperação contra a violência infantojuvenil

A agenda social encerrou as apresentações temáticas com a exposição do ministro do TST Alberto Balazeiro sobre o Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o CSJT e a Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes.

O ministro conclamou os TRTs a formalizarem adesão ao acordo, voltado ao enfrentamento do trabalho infantil e da exploração sexual, com especial ênfase nas ações itinerantes da Justiça do Trabalho. A mobilização responde ao alarmante crescimento de quase 195% nas notificações registradas pelo Disque 100 entre os anos de 2020 e 2024.

“A parceria oferece suporte metodológico, capacitação para magistrados e servidores e materiais didáticos para que cada tribunal atue de maneira estruturada e em estreita rede com as instituições de proteção locais”, assinalou o ministro Balazeiro.

Continuidade dos trabalhos

A 8ª Reunião Ordinária do Coleprecor tem prosseguimento nesta quarta-feira (21). A programação prevê a realização da Assembleia Geral para a eleição da nova diretoria do colegiado (Gestão 2027), painéis sobre aplicação de inteligência artificial em precedentes judiciais (ratio decidendi), jurimetria sobre pejotização e a oficina de alinhamento do Planejamento Estratégico da Justiça do Trabalho para o ciclo 2027–2032.